
Para participar da promoção/meme/jabá/campanha anti-tendinite “Acabe com o mundo e concorra a uma power boll” promovida pelo Gilberto Knuttz do Ueba e do Cybervida com ajuda do Daniel Bender do BenderBlog, decidi relatar como seria para mim o fim do mundo, no último dia, dentro de um dos lugares que mais gosto, um bar. Então vamos lá.
Já faz uma semana que todo mundo só fala nisso: o fim do mundo! Não agüento mais essa história. Haja saco pra agüentar tanta choradeira. Todo mundo reclamando que a vida foi muito curta, que devia ter amado mais, ter chorado mais, ter visto o sol nascer… po, essa musica é o maior hit da semana, e o pior é que não sai da minha cabeça. Na verdade eu estou cagan#$% e andando. O que se pode fazer em uma hora dessas? Nada! Ta todo mundo fudi#$. A única coisa que você pode fazer é relaxar e gozar, ou pelo menos tentar. E esse é o meu último objetivo para o fim do mundo: ir no bar do Altair, encontrar com a galera e tomar umas geladas, dar risadas e quem sabe, faturar as últimas pervas da minha vida e é claro, relaxar e gozar.
Saio de casa todo feliz. Pareço ser a única pessoa otimista com o fim do mundo. Logo no portão de casa encontro um bando de caras de terno e gravata e umas véias de cabelo cinza até a cintura, com uns livros bem grossos na mão gritando e olhando pra cima. Não entendo essa gente. Ficam falando que um tal de salvador vai buscar a galera do bem com uma nave e tal. Acho que é aquele cara da arca. Não sei, nunca entendi muito sobre ufologia. De qualquer forma, desejei um bom final pra todos: – Vamo morre hoje cambada de fdp? E fiz um sinal de jóia com a mão. Pedras voaram na minha direção. Acho que eles não gostaram muito do meu entusiasmo. Continuei a minha peregrinação de 3 quadras rumo ao bar do Altair, que nessas horas, deveria estar cheio. Mas para a minha surpresa, não estava. Impressionante! O bar do velho Altair estar vazio justamente na sexta feira, oito horas da noite, e ainda mais em um dia tão importante como esse: o fim do mundo. A galera deveria estar comemorando. Nenhum dos meus amigos está no bar. Apenas alguns bêbados chorando porque não vão mais ver o Altair. Coisa de bêbado. Pensei comigo: que se fo#@, vou ficar por aqui mesmo e tomar uma gelada. Mas nem tudo estava perdido. Avisto no horizonte meu amigo Pia de Prédio (aka Rodrigo). Dou um berro: – Ô seu veado! Vamo comemorar o fim do mundo! Chega aà pra tomar uma comigo.
- Antes de contar o restante, preciso dizer que o Rodrigo é um caso sério. Esse é o tipo do cara que foi criado no apartamento, é filho único, passa o dia inteiro jogando vÃdeo game, comendo bolacha (biscoito) recheada, tomando Nescau e o pior, faz tudo isso sendo supervisionado pela sua vó.
Rodrigo entra no bar com cara de choro. Está desanimado porque o mundo vai acabar e ele não vai conseguir jogar o Halo 3.
Bira – Dae seu bichona, tudo beleza?
PP – Oi Tio, estou triste e com o coração em frangalhos…
Bira – Antes de continuar, Tio é o cara$%#&. Sou EU cara, o Bira. Estudei com você na faculdade. E outra, esse negócio de coração em frangalhos é coisa de maçã do amor. Mas não se preocupe. Agora você está comigo. Vamos encher a cara antes do mundo acabar.
PP – Mas eu não bebo cerv….
Bira – BEBE SIM PORRA! Vou lá pedir uma cerva pro Alta.
Rodrigo fica na mesa esperando enquanto Bira vai até o balcão pedir uma cerva pro Altair.
Bira – Grande Alta, tudo tran…..
Altair – Tranqüilo vai ser minha rola na sua b…
Bira – Que é isso Alta. Pô meu, porque essa grosseria?
Altair – Tu ta me devendo seu fdp.
Bira – Pô Alta, esse nervosismo só por causa de grana? Pô véio, hoje estou desprevinido, mas amanhã eu acerto com você. Hehehe
Altair – Seu viado, quero minha grana agora! AGORA!
Bira – Alta, presta atenção! Pra que você vai querer dinheiro se o mundo vai acabar daqui a pouco? Hã? Me diz cara? Vamo encher a cara hoje bacana. Hoje é dia de festejar, tomar um monte. Libera o bar aà meu. Deixa de ser mão de vaca. E além do mais só tem eu, você e o Pia de Prédio aqui. Aqueles bêbados nem vão consumir. Tem aquele outro caipira gótico de gorro preto e uma foice na mão, mas ele não tem cara de quem toma umas.
Altair – Ta certo, ta certo. Você vai pro inferno Bira maldito.
Altair concorda em liberar o bar pois era o fim do mundo mesmo. Não tinha motivos para cobrar dos fregueses. Bira leva duas cervas geladinhas pra mesa e começa a divagar sobre seus tempos de garoto, seus dias na faculdade, a mulherada que pegou e aquelas que deveria ter pegado. Pia de prédio relembra como era gostoso o Nescau que a vó fazia, as bolachas recheadas e como era bom vencer todo mundo no Counter Strike. Já o Alta, lembra de todos os amigos que fez no bar, lembra das muitas brigas que presenciou, dos cornos, dos caras que não pagaram a conta…
Altair – Né BIRA, seu safado. Tomou um semestre inteiro de faculdade no meu bar e não me pagou!
Bira – Pô Alta, agora é hora de relembrar os bons momentos. Esqueça essa parte. Não faz bem lembrar essas coisas.
Alta – Não faz bem pra você né, vagaranho!
Três horas se passam. Todos já estão bêbados. O piá de prédio que nunca tinha tomado um porre ficou tão louco que começou a correr pelado na rua. Sumiu da vista de todos e não foi mais visto. Grande Piazão. Ensinei tudo o que eu pude pra ele, mas vi que precisaria de mais uns 10 anos pra deixar o cara bom mesmo. O Alta já está largado. Falou que vai buscar um cigarrinho pra fumar nesses últimos 10 minutos que restam. Eu estou olhando o horizonte e esperando aparecer alguma cocota. Acho que dessa vez não vou faturar. Faltando um minuto para a meia noite, aquele caipira gótico com a foice se aproxima e me dirige a palavra:
Morte – Então Bira, está pronto pra ir? O Altair já foi.
Bira – Vixe mermão. Que é isso? Sai pra lá! Não é agora que vou afinar não meu. Se tu comeu o Alta não significa que vai me comer também. Vou te meter a porr………
Morte – Tu é muito burro mesmo. Por acaso você já viu alguém levar uma foice pra um bar? Eu sou a MORTE! To aqui pra te levar.
Bira – Posso te fazer um último pedido?
Morte – Pode.
Bira - Então traz uma cerveja e coloca essa musica………..


