Teve uma época em que meu grupo de amigos era um dos mais bem vistos pelas mulheres e muito invejado pelos homens. Faziamos festas todo final de semana, sempre com muita cerveja e mulheres… muitas mulheres. Lembro de uma festa em minha casa onde haviam 2 mulheres para cada homem. Esse foi o auge da nossa galera. A maioria das pervas do bairro já eram nossas conhecidas, saca? Inclusive uma delas levou o apelido de mulher Chico. Sempre quando alguém tentava bimbar, a mina estava de Chico. Era impressionante.
A coisa era boa, mas algumas vezes entrei em furadas por causa dos meus amigos. Os caras me consideravam o guerreiro pois eu pegava o que vinha na frente sem frescura. É claro que eu tinha meus critérios de escolha: se tivesse com o coração batendo, eu pegava. Era necessário ter um pouco de cachaça pra me deixar mais valente. Meus camaradas acostumaram a me chamar para completar o time. Sempre rolava aquele papo de mulher fresca: “Ai, você não tem um amigo pra minha amiga?”. Pronto, adivinha pra quem os caras ligavam? Isso mesmo meus amigos, era o Bira que tinha que resolver a bronca. E eu resolvia, com a maior vontade do mundo. Mas teve uma vez que tive que deixar na mão. Foi no caso Tina!
Tina, muito além da imaginação
Sabadão, 22:40 e eu assitindo Discovery. Sem grana pra ir pra balada. Frio congelante de Curitiba. Nâo tinha nada pra fazer e na época estava sem internet em casa. Já tinha programado na Sky pra assistir o Sexy Time do Multishow quando o celular toca:
Japoneis: E aí Vassora, firmeza?
Sir Bira Jones: Dae bacana, tranquilo. Qual é a boa?
Japoneis: Estamos aqui na casa do Ribão. Tá ligado aquela mina da semana passada? Então, ela trouxe umas amigas. Tá afim?
Foi o mesmo que oferecer um copo de água para um cara que está morrendo de sede. A oferta era irrecusável. Em 10 minutos me arrumei e fui correndo na casa do Ribão que ficava a 5 quadras da minha casa.
A casa do Ribas, breve histórico
A casa do meu amigo Ribas era uma das mais visitadas do bairro e quase todas as moças do bairro já tinham passado por lá. Os moradores eram Ribas, Jajá e Pit Bitoca, este último o cabaço e voyeur. Essa casa era o nosso ponto de encontro. Casa de macho sem frescura. Caindo aos pedaços, pintura descascando, portas sem trincos etc. Em todo o tempo que freqüentei a casa, só encontrei cabeça de porco, cerveja e pinga na geladeira. Era o nosso motel de graça. Era também onde fazíamos os nossos churrascos que sempre terminavam de manhã.
Cheguei na casa do Ribão ofegante. Dei uns jatos de Berotec (remédio pra bronquite), acendi um cigarro e entrei na casa. Estava ansioso para conhecer quem seria a sortuda que teria uma noite com o mestre latino do Amor, Bira Jones. Cheguei cumprimentando todo mundo e fazendo pose de gostosão. Estava sorridente e fui simpático ao extremo com as pervas. Queria passar uma boa impressão.
Comecei a observar o ambiente e percebi que todos já estavam arranjados. Faltava uma mulher quando uma das minas falou: “A Tina está no banheiro, ela já vem aí.” Logo em seguida meus amigos começam a tirar sarro tipo “vai pegar firme hoje hein” ou “essa é pra casar” e coisas do tipo. Meu desconfiometro entrou em alerta máximo, mas foi tarde demais. A Tina saiu do banheiro. Cilada!
No momento que Tina sai do banheiro mostrando sua barriga com cicatriz de perfuração a bala (levou uns três tirambaço de 38) meu sorriso começa amarelar e o meu humor muda completamente, assim como a minha simpatia. Cilada do caralho. Tomei com esses sacanas.
Meus amigos ficavam segurando o riso e as minas também. Pensei comigo: “Cambada de filhos da puta. Espero que engravidem essas pervas do caralho.” Mas, como sou um cara camarada, aceitei as provocações e continuei tomando cerveja. Logo a tiração de sarro parou e começamos a conversar normalmente.
Lá pelas 2h da manhã a galera começou a ir para os quartos para dar um trato na muilherada. Mais do que rápido me levantei também pra ir embora. Quando anunciei deu merda:
Sir Bira Jones: É isso aí seus arrombado. Estou indo.
Japoneis: Fica aí mané! Dorme aí na casa do Ribas. Não dá nada.
Sir Bira Jones: Nem fudendo. Vai que a Tina tenta me agarrar.
Japoneis: Ahhh pare meu! Até que ela é bonitinha. Pare de se fazer.
Sir Bira Jones: Bonitinha!? Essa mina tem cara de traficante. Já deve ter puchado cana. Nem fudendo. Tô indo.
Nesse momento aqueles que tiravam sarro de mim estavam com o sorriso amarelo. As minas só poderiam ficar na casa se a Tina tivesse acompanhante. Eu ainda acho que ela era cafetina das desgraçadas. Os meus amigos ficaram me enchendo o saco pra ficar e as amigas da Tina enchendo o saco dela quando escutei: “Se eu não como, ninguém come.” Foi o fim da picada. A mulher era feia, arrebentada, levou tiro, tinha cara de traficante e ainda vinha com essa história de “comer” homem. Nessa hora comentei em voz baixa:
Sir Bira Jones: Olha aí seus puto. A mulher quer comer a minha bunda.
Japoneis: Capaz Vassora. Isso é gíria das minas.
Sir Bira Jones: Que se foda. Vou embora antes que essa mulher tente me arrombar.
É claro que eu sabia que aquilo era um modo de falar entre as mulheres, mas mesmo assim me fiz de mané pra sair o mais rápido da situação. Fiquei com fama de bundão com as outras por um tempo mas pelo menos não agarrei a Tina. Meus amigos conseguiram convencer a Tina a ficar na casa depois de embededar ela.
Hoje estou vacinado contra esse tipo de cilada. Já passei por muitas e sempre me dei mal justamente porque pensava com o cacete. Também tenho que dizer que era ingênuo na época e não sei porque, quando me convidavam para estes churrascos, sempre achava que teria uma linda ninfa me esperando para desfrutar do meu intenso amor.


