Assim como eu, alguns de vocês que tiveram a infelicidade de ligar a TV neste fim de semana e presenciar mais uma vez o circo sensacionalista em cima de uma tragédia, estou me referindo ao sequestro da garota de 15 anos e da sua amiga, com a mesma idade. Viram, nem precisei colocar o nome das duas aqui e vocês já sabem de quem se trata, quantos anos elas tem, que uma delas fez uma escolha estúpida de voltar ao cativeiro, que a outra menina que levou um tirambaço na testa e teve não sei quantos níveis de coma e era ex-namorada do auxiliar de produção, enfim, nesse fim de semana, vocês tiveram mais uma vez a oportunidade de ficarem chocados com o circo da tragédia. Eh lê lê.
Quem ligou a TV esse fim de semana, deve ter ficado indignado com mais um sequestro que a polícia não obteve sucesso, assim como o lendário sequestro do ônibus 174 e o seu final igualmente trágico.
Não quero passar por intelectual ou pseudo-especialista e analisar o caso assim como toda emissora de TV está fazendo. Gostaria apenas de mostrar que isso é uma coisa normal e acontece todo dia: namorado assassinando namorada. Mas porque esse sequestro da Eloá teve mais atenção? Sei lá, talvez a TV conseguiu antecipar a possibilidade de tragédia e, como todos sabem, brasileiro está interessado em final triste. Talvez seja por essa razão que neste fim de semana e talvez no próximo, teremos mais e mais fatos relacionados ao sequestro. Depois disso, teremos várias entrevistas com a guria burra que voltou ao cativeiro. “Porra Bira, a guria levou um tiro na cara, pega leve“. Pega leve é o meu caralho. Burrice tem limite. Voltou no cativeiro porque, porra? Por que queria aparecer na TV? Ou por que estava preocupada com a amiga? Se nem os pais da Eloá entraram na merda do apartamento, porque a guria burra resolveu, aparentemente por conta própria, voltar ao cativeiro? É esse tipo de coisa que não consigo entender. E é justamente por esse motivo que acho que ela deve agradecer pelo novo piercing no nariz. Merece ser aplaudida de pé pelo seu ato.
E a polícia? Rá, a polícia mais uma vez foi inacreditável. Mas não os culpo, essa questão vem mais de cima. Ou de baixo. Dos lados. De todo lado. Problema nesse país de merda é o que não falta. Corrupção também. Filho da puta e ladrão nós temos de monte. Cadeias estão lotadas de estupradores, pedófilos, traficantes, golpistas e etc. É melhor parar aqui senão isso não terá fim.
Mas o bonito é ver o cidadão comum comovendo-se com o que aconteceu. Ele chega no trabalho e comenta com todos e faz cara de triste. Fica indignado. Amarra uma faixa preta no braço. Quer fazer passeata pela paz e o caralho a quatro. Na rodinha do café todos estão de luto. No orkut ele coloca antes do nome: “Luto por Eloá. Vá com Deus“. Falsidade do caralho. Queria ver esse mesmo cidadão colocar no orkut a guria que levou um monte de tiros, foi estuprada e saiu na capa da Tribuna (jornal policial de Curitiba). “Opa Bira, essa não. Trágico demais. Nem saiu na TV“!.
Tesão era acordar de todos os dias da semana e ouvir o Brito Junior dizendo: “Calma gente, ele tem apenas 22 anos. É um jovem ainda“. Jovem que deveria ter chupado uma bala de fuzil. E agora Brito? O que você acha desse jovem? Merece ou não outra chance? Leva ele pra sua casa!
Mas peraí, o cara tem 22 anos, a guria 15 e eles namoravam há 2 anos. Procede? Pois bem, então nesse caso, temos mais alguns agentes causadores da tragédia.
E por fim, me desculpem pelo texto totalmente fora do contexto desse blog.
Update: Graças ao leitor Vitor Castro, descobri esse vídeo da entrevista do Lindemberg ao programa da Sônia Abrão. Pronto, só faltava isso para o meu texto ficar completo.


